quinta-feira, 10 de março de 2011

Os heróis do BBB

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Já sabemos que a construção do sujeito está ligada ao meio sociocultural e histórico em que se vive. O próprio conceito de “herói” pode variar muito de cultura pra cultura. Por exemplo: Na atual luta pela democracia que se espalhou pelos países do Norte da África e do Oriente Médio, diante da monarquia absoluta, alguns manifestantes colocam a própria vida em risco na luta pela democracia. Se porventura em uma dessas manifestações um cidadão vier a morrer, ou até mesmo a matar (acreditando que isso é válido na luta por melhorias em seu País), poderá vir a ser considerado como um “herói” por parte de seu povo. Agora imaginemos um brasileiro que depois de um dia de trabalho, chega em sua casa, senta em sua poltrona e assiste TV em sua noite de descanso. Ao se deparar com a notícia da morte ocorrida, poderá considerar um absurdo o fato de um homem colocar sua própria vida em risco em uma causa, que para ele, é tola. Para esse cidadão brasileiro, colocar a vida em risco somente se justificaria se fosse diante da defesa de sua família, ou até mesmo do seu patrimônio (como comumente assistimos quando pais família são mortos ao tentar impedir um assalto e defender seus bens). Sendo assim, quem poderíamos chamar de herói? Seria impossível responder tal questão sem colocar na discussão os valores adquiridos pelo meio em que se vive.
É diante disso que a fala de Pedro Bial, chamando os participantes do BBB 11 de “heróis”, pode ser compreendida.
Se nossos valores e referenciais culturais estão relacionados ao culto do corpo, a valorização da imagem (acima de outros aspectos humanos), a idealização da vida e do corpo jovem (onde não existe espaço para o envelhecimento), não existem personagens melhores para serem considerados heróis do que os “BBBs”. Mesmo que de forma temporária, eles correspondem ao ideal de grande parte da população brasileira. São considerados heróis para quem também almeja chegar a essa condição.
O mais difícil é saber do que esses heróis nos salvam. Ao que me parece, eles contribuem apenas para uma fuga da realidade ou uma tentativa de driblar as leis do tempo-espaço e gravidade. Neles são projetados nossos desejos de não sermos vencidos pelo tempo (velhice), a gravidade (a velha lei que “tudo que sobe, desce, inclusive o corpo malhado) e o espaço (pois eles conseguem habitar, mesmo que por pouco tempo, o espaço de nossa sala todas as noites). É neles que enxergamos nossas idealizações de se viver belo para sempre e desfrutar do prazer eterno e sem limites. É neles que nos conformamos e decidimos não lutar por mudanças em nosso País, pois afinal, todo ano tem Big Brother, carnaval e futebol. Parece que isso basta!
Eles são heróis de um povo que já não sabe sonhar juntos. Cada um sonha individualmente, buscando se tornar o “herói de si mesmo”, que o livre da condição de ser apenas um ser humano e limitado. Aquele que conseguir conquistar e preservar a boa estética e a melhor imagem, será o melhor herói. Mesmo que olhando mais de perto, possamos encontrar aquilo que Jesus chamou de “sepulcro caiado”, ou como já diz o ditado popular: “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”. Mas tudo isso também digo a partir da minha construção como sujeito, onde minha forma de enxergar o mundo também está sujeita as minhas vivências, influências e experiências.
Por tudo isso acredito que devemos buscar bons referenciais, tanto pra nós, nossos filhos, como para nossa comunidade e sociedade.
Que um dia nossos heróis voltem a ser os de antes e não mais morram de overdose.

Mano Tchélo é Rapper e estudante de Psicologia (nas horas vagas) pela Universidade Paulista, em Sorocaba. (mano.tchelo@bol.com.br)
 

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