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"Eles jogaram gasolina nele e o obrigaram a passar por uma fogueira. O menino ficou todo queimado. Ainda se lembra, e mesmo agora protegido, se esconde dos monstros de seus pesadelos. Ele sobreviveu em carne, mas está queimado por dentro." 

Sou atormentado por essa narrativa toda vez que alguém me pergunta das crianças nigerianas. 

Foi contada por um dos voluntários na Nigéria, que resgatou o pequeno menino de 10 anos, todo queimado, condenado à morte por ser "bruxo" segundo o seu próprio pai que o abandonou e o entregou para ser queimado vivo. Eu conheci o pequeno sobrevivente. Ele teve sorte de escapar. 

Lembrei-me de Muath al-Kasaesbeh, o piloto jordaniano que sofreu a mesma sentença de morte por radicais do Estado Islâmico. E me arrepia pensar que o mundo se tornou ainda mais insuportável, desde Caim, mas piorado agora com o ódio que corre nas nossas veias como nunca antes. 

Há sincera comoção pelas vítimas do EI, eu me calo em silêncio e reverência com seus familiares, mas há um sentimento quase imperceptível que tende em dizer que radicais islâmicos são mais desgraçadamente ruins que radicais cristãos e que vítimas cristãs são genuinamente mais vítimas que pessoas muçulmanas. 

O EI decapitou. No sul da Nigéria, vi casos de pai arrancar a cabeça do filho-bruxo ou o pastor ligado à Teologia da Prosperidade ter duas cabeças de mulheres no porta-malas do seu carro, e tenho fotos, que as guardo sem ver, mas as tenho como documento do caos, pois tem muitos que dizem: Gito, basta! Não pode ser! Mas é. E são cristãos radicais tão absurdamente loucos como os encapuzados do Estado Islâmico. Não há diferença entre eles. Pois ambos usam a figura de um "deus" apenas como desculpa para saciar a sede de sangue e ódio, para alimentar o seu próprio deus e a total indiferença.

"Deus" sempre foi a melhor desculpa para se puxar um gatilho, afiar a faca, acender a fogueira, sacar a espada das Cruzadas na direção do diferente, do infiel, do herege e do pecador. Mas estes, nada tem de Deus, são filhos da Ira e senhores de seu próprio ventre. Estes se transformam em diabos e fazem o inferno ser aqui. À estes, sim, o juízo virá pois o sangue dos inocentes clama da terra à Deus. Mesmo que seja em nome Dele que matem, Ah... Ele sabe quem é quem e dirá: Jamais os conheci.

Quanto à nós? É preciso se desvencilhar das amarras da religiosidade vazia, da que nos aflora o egoísmo, da que transforma os diferentes em alvos de desprezo e nos aproximar do outro, em sincero amor e tolerância de suas diferenças, para que com Graça, haja esperança de amanhã. Botar essa teoria bonita e bacana em prática dolorosa e difícil que é amar. 

"Não é que falta amor. Falta amar." - Dizia a mensagem pichada na parede. E aquilo que parece papo de desequilibrado-sonhador-utópico-esperançoso-romântico é o que nos salvará. De nós mesmos.


Gito

Não é que falta amor



"Eles jogaram gasolina nele e o obrigaram a passar por uma fogueira. O menino ficou todo queimado. Ainda se lembra, e mesmo agora protegido, se esconde dos monstros de seus pesadelos. Ele sobreviveu em carne, mas está queimado por dentro." 

Sou atormentado por essa narrativa toda vez que alguém me pergunta das crianças nigerianas. 

Foi contada por um dos voluntários na Nigéria, que resgatou o pequeno menino de 10 anos, todo queimado, condenado à morte por ser "bruxo" segundo o seu próprio pai que o abandonou e o entregou para ser queimado vivo. Eu conheci o pequeno sobrevivente. Ele teve sorte de escapar. 

Lembrei-me de Muath al-Kasaesbeh, o piloto jordaniano que sofreu a mesma sentença de morte por radicais do Estado Islâmico. E me arrepia pensar que o mundo se tornou ainda mais insuportável, desde Caim, mas piorado agora com o ódio que corre nas nossas veias como nunca antes. 

Há sincera comoção pelas vítimas do EI, eu me calo em silêncio e reverência com seus familiares, mas há um sentimento quase imperceptível que tende em dizer que radicais islâmicos são mais desgraçadamente ruins que radicais cristãos e que vítimas cristãs são genuinamente mais vítimas que pessoas muçulmanas. 

O EI decapitou. No sul da Nigéria, vi casos de pai arrancar a cabeça do filho-bruxo ou o pastor ligado à Teologia da Prosperidade ter duas cabeças de mulheres no porta-malas do seu carro, e tenho fotos, que as guardo sem ver, mas as tenho como documento do caos, pois tem muitos que dizem: Gito, basta! Não pode ser! Mas é. E são cristãos radicais tão absurdamente loucos como os encapuzados do Estado Islâmico. Não há diferença entre eles. Pois ambos usam a figura de um "deus" apenas como desculpa para saciar a sede de sangue e ódio, para alimentar o seu próprio deus e a total indiferença.

"Deus" sempre foi a melhor desculpa para se puxar um gatilho, afiar a faca, acender a fogueira, sacar a espada das Cruzadas na direção do diferente, do infiel, do herege e do pecador. Mas estes, nada tem de Deus, são filhos da Ira e senhores de seu próprio ventre. Estes se transformam em diabos e fazem o inferno ser aqui. À estes, sim, o juízo virá pois o sangue dos inocentes clama da terra à Deus. Mesmo que seja em nome Dele que matem, Ah... Ele sabe quem é quem e dirá: Jamais os conheci.

Quanto à nós? É preciso se desvencilhar das amarras da religiosidade vazia, da que nos aflora o egoísmo, da que transforma os diferentes em alvos de desprezo e nos aproximar do outro, em sincero amor e tolerância de suas diferenças, para que com Graça, haja esperança de amanhã. Botar essa teoria bonita e bacana em prática dolorosa e difícil que é amar. 

"Não é que falta amor. Falta amar." - Dizia a mensagem pichada na parede. E aquilo que parece papo de desequilibrado-sonhador-utópico-esperançoso-romântico é o que nos salvará. De nós mesmos.


Gito



Eu Mesmo é o cara que eu visto para ir às compras, ao cinema, para pagar as contas ou levar o cachorro para passear. Eu Mesmo vai quase que parecido com o Eu, mas teme encontrar algum conhecido no caminho e precisa estar pronto para qualquer situação. Eu Mesmo disfarça o Eu. Simplesmente Eu. É uma maneira do Persona mostrar seu lado "normal", "gente", "simples" - mas ainda assim é maquiagem. O Eu Mesmo é a atuação longe dos palcos do Persona, para amigos que conheceram antes e que sabem que Aquilo do Persona não é Aquele que se via por aí. Mas ainda assim não é Eu, esse, pouco conhecido pois, cada vez que aumenta o Persona se diminui o Eu e aos poucos vai ser exigido que um dos dois morra.

Persona é o que eu virei a partir do que montaram para mim. É o ser montado a partir das reflexões dos elogios. É um ser criado para a captação das opiniões positivas. É a opinião de muitos que me fizeram tomar um jeito parecido com o que queriam para mim e de mim. É o que a religião, a moral e o politicamente correto sopra como correto. É o que a mídia eletrônica sopra como legal. É uma montagem do personagem que eu apresento para a maioria. Sou eu na foto. No vídeo. E muitas vezes nas Redes Sociais. É o ser conhecido apenas por alguma coisa que fiz, para o bem e para o mal. É o que faço, não o que sou. É inimigo do Eu mesmo. E passa a ser, sem que Eu Mesmo perceba, o meu pior inimigo, pois quem conhece a essência do ser ou bem percebe as almas humanas, sabe da personificação e cobra o Eu, que se afasta ou tenta justificar o Persona, causando ainda mais egolatria e afastando os poucos que identificam a falha no sistema e seriam capazes de confrontar o Persona para recuperação do Eu Mesmo, da alma.

Eu sou eu sem as máscaras do Eu Mesmo e do Persona. Sem fotos. Sem logins. Sem profiles. Com rugas. Com cicatrizes por dentro e por fora. Que mostra a cara. Que apanha. Que pensa sem cabrestos. Que age sem pensar. Que tem medo e coragem como impulsos inexplicáveis. Que chora diante da flor e pula de coragem diante do abismo. Que teme o mosquito e enfrenta o gigante. Que teme a flor, o abismo, o gigante e o mosquito. Que é. Sem as lógicas que doutrinam jeitos. Mesmo que lhe encham de críticas. Continua a ser. Mesmo que lhe distribuam elogios. Continua a ser. Não altera a sua rota pelos que fomentam os Personas. Mas se deixa ouvir dos que sabem do Eu. Sabe que são poucos e dá valor à companhia destes. Os quer por perto pois com eles que sabem que se pode ser o que se é pela Graça de Deus, tudo é mais leve e honesto. Sem barganhas, bajulações e esconderijos da alma. Se é na medida certa. Nem herói e nem vilão. O Eu Simplesmente que a muitos pode afetar, gera mais críticas que elogios, diferente do Persona. Mas se sabe em Deus, que conhece a essência, e é leve na caminhada pela vida ainda que a vida leve de si tudo o que o Persona pode dar.

Gito.

Eu Simplesmente, Eu Mesmo e Persona



Eu Mesmo é o cara que eu visto para ir às compras, ao cinema, para pagar as contas ou levar o cachorro para passear. Eu Mesmo vai quase que parecido com o Eu, mas teme encontrar algum conhecido no caminho e precisa estar pronto para qualquer situação. Eu Mesmo disfarça o Eu. Simplesmente Eu. É uma maneira do Persona mostrar seu lado "normal", "gente", "simples" - mas ainda assim é maquiagem. O Eu Mesmo é a atuação longe dos palcos do Persona, para amigos que conheceram antes e que sabem que Aquilo do Persona não é Aquele que se via por aí. Mas ainda assim não é Eu, esse, pouco conhecido pois, cada vez que aumenta o Persona se diminui o Eu e aos poucos vai ser exigido que um dos dois morra.

Persona é o que eu virei a partir do que montaram para mim. É o ser montado a partir das reflexões dos elogios. É um ser criado para a captação das opiniões positivas. É a opinião de muitos que me fizeram tomar um jeito parecido com o que queriam para mim e de mim. É o que a religião, a moral e o politicamente correto sopra como correto. É o que a mídia eletrônica sopra como legal. É uma montagem do personagem que eu apresento para a maioria. Sou eu na foto. No vídeo. E muitas vezes nas Redes Sociais. É o ser conhecido apenas por alguma coisa que fiz, para o bem e para o mal. É o que faço, não o que sou. É inimigo do Eu mesmo. E passa a ser, sem que Eu Mesmo perceba, o meu pior inimigo, pois quem conhece a essência do ser ou bem percebe as almas humanas, sabe da personificação e cobra o Eu, que se afasta ou tenta justificar o Persona, causando ainda mais egolatria e afastando os poucos que identificam a falha no sistema e seriam capazes de confrontar o Persona para recuperação do Eu Mesmo, da alma.

Eu sou eu sem as máscaras do Eu Mesmo e do Persona. Sem fotos. Sem logins. Sem profiles. Com rugas. Com cicatrizes por dentro e por fora. Que mostra a cara. Que apanha. Que pensa sem cabrestos. Que age sem pensar. Que tem medo e coragem como impulsos inexplicáveis. Que chora diante da flor e pula de coragem diante do abismo. Que teme o mosquito e enfrenta o gigante. Que teme a flor, o abismo, o gigante e o mosquito. Que é. Sem as lógicas que doutrinam jeitos. Mesmo que lhe encham de críticas. Continua a ser. Mesmo que lhe distribuam elogios. Continua a ser. Não altera a sua rota pelos que fomentam os Personas. Mas se deixa ouvir dos que sabem do Eu. Sabe que são poucos e dá valor à companhia destes. Os quer por perto pois com eles que sabem que se pode ser o que se é pela Graça de Deus, tudo é mais leve e honesto. Sem barganhas, bajulações e esconderijos da alma. Se é na medida certa. Nem herói e nem vilão. O Eu Simplesmente que a muitos pode afetar, gera mais críticas que elogios, diferente do Persona. Mas se sabe em Deus, que conhece a essência, e é leve na caminhada pela vida ainda que a vida leve de si tudo o que o Persona pode dar.

Gito.

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