quarta-feira, 23 de abril de 2014

Pior que a T. da Prosperidade



Há algo pior que a Teologia da Prosperidade tão arduamente combatida principalmente por cristãos históricos.

Deixe-me ousar a falar disso falando do diabo.

Raras as vezes em que falo desse cara.

Mas penso o seguinte à respeito do diabo:

As suas manifestações nada mais são do que "efeitos especiais" como quem diz: "estou aqui, vejam!". 

Manifestações corpóreas, ranger de dentes, os possuídos com forças sobre-humanas, tudo isso não passa de "efeitos", demonstrações que estão aí, que existem, com desejo de impressionar. Mas não são, nem de longe, suas maiores ações.

As suas maiores ações são na calada, no silêncio, nas tramas, nos sistemas, nas corrupções, no poder sem pudor, nos esquemas, sem manifestação visível, apenas perceptível mas para observadores bem atentos e cheios do Espírito.

É com o disfarce do silêncio e trilhando os caminhos do "politicamente correto", que ele atua com mais frequência.

Ele se deixa perceber ao que a ele dá espaço, mas se mantém silencioso ao ouvido do aparente "perfeito varão" que de tanto ostentar ser de tal perfeição, assume o seu papel, endiabra-se com a "Síndrome de Lúcifer", querubim que ousou querer ser igual a Deus, perfeito em si mesmo, se corrompendo e se desfigurando.

Nós nos impressionamos mais com as manifestações demoníacas visíveis do que com as invisíveis.

No entanto, as invisíveis é que são as maiores ações.

O que isso tem a ver com "algo pior que a Teologia da Prosperidade"?

É que se combate o fenômeno chamado "Teologia da Prosperidade" que barganha com Deus, atribuindo a Ele apenas o papel de mero executor de desejos; principalmente porque essa teologia tem espaço hoje na mídia e causa um estardalhaço de horrores; mas se vive, em muitos casos, segundo o modelo por ela proposto, sem que se dê conta.

Se não prosperarem, descrêem. 

Em situação econômica instável, descrêem. 

Organizam um sistema financiado pelo capital e não vivem pela fé. Nesse sistema, o que rege os planos e metas de ações no Reino é o "quanto temos" e não o desafio proposto por Cristo e aceito em obediência.

O Capital é o deus de muitos que lutam em nome de Deus contra a Teologia da Prosperidade!

Esbeltos, em seus ternos de grife e sapatos importados, discursam dos púlpitos de mármore nas catedrais milionárias nos centros mais abastados do pais e com os salários e benefícios garantidos pela denominação que o "amor ao dinheiro é a raiz de todos os males".

E garantem: eu até tenho grana. Só sei que não devo amá-la. 

Nisso legitimam suas posses e possessões.

Pois deixa tal sentimento de veneração pelo Capital possuir seu viver.

Esse é também um fenômeno invisível de inversão de valores, sutil, malvado, frio, diabólico, bem pior que os que anunciam com a cara de pau que gostam de money, money, money.

E tudo que se faz invisível fica ainda mais feio quando mostra a cara.

Conheço muitos que combatem a Teologia da Prosperidade mas dela fazem uso nas invisibilidades e impercepções da vida. 

Querem Deus e Mamom - o deus das finanças. Sem se lembrar do alerta de Jesus que só é possível servir a um dos dois. Não se pode servir 80% a Deus e 20% de servidinha ao outro para que lhe seja garantido um trocado no final do mês.

É uma entrega completa.

Não basta conhecer e cumprir os mandamentos desde a juventude, feito o jovem rico, é preciso "vender tudo o que tem e dar aos pobres" e depois, voltar e seguir a Jesus, sem ter um tostão no bolso, mas completo de Jesus na vida!

Esse é o espírito de quem segue a Jesus. 

É aprender a viver com o Suficiente.

E no caso do jovem que amava ser rico, o seu "suficiente" precisava que fosse vendido para que Jesus fosse suficientemente o seu único modo de sobrevivência.

Aos humildes, que de nada do que possuem fazem suficiência, mas da Graça divina, não se corrompem por ter duas túnicas. Pois estes sabem que devem dar quando perceberem o outro que não tem.

É o mesmo princípio de andar a segunda légua e dar a outra face.

Só a humildade gera estas ações. 

E, na humildade, é possível ter posses sem ofender a Deus, já que o humilde consegue fazer delas sempre um meio para a proclamação do Reino entre todos, com justiça e sem auto-propaganda, sem que a mão esquerda saiba o que a direita faz.

São os que possuem bens, mas que humildes, sabem empobrecer e enriquecer e empobrecer novamente, se assim for, sem que a cada etapa se transformem em monstros da amargura. Sabem passar frio nas garoas sob as pontes tanto quanto agradecer pelo ar-condicionado no quarto. E que podem dizer na pobreza: Deus deu, Deus tirou. Bendito seja o nome do Senhor! E com abundância: Nada do que tenho é meu por mérito. Tenho mais do que mereço.

E aí, quanto mais tem mais precisam doar e partilhar. Já que "a quem muito foi dado, muito será cobrado" e isso se atribui também às ordens financeiras.

Como se distingue então o humilde, aquele que não vive invisível pelas subjetividades da Teologia da Prosperidade ao que, mesmo combatendo-a, faz uso de seus modos?

Os humildes não teriam nenhum problema em abrir mão de tudo o que possuem, à começar pelos títulos, as honras, os confortos, o dinheiro, os bens, até os cargos, denominações de poder, instituições e espaços sagrados. 

Mas com o temor de "deixar de seguir" o mestre, condenado à tristeza, por possuir muitas propriedades, como o caso do jovem rico. Amando a suficiência que lhe dá as muitas propriedades, sendo possuído por elas e assim, por Mamom, que possui aquele que passa a confiar no Capital como salvação, desprezando como Adão ao Deus que prometeu cuidar. 

Aquele que se deixa dominar pelas posses se torna então, possesso.

Bem-aventurados os humildes.

Por conta de sua humildade diante de Deus e por serem bons administradores do que lhes cabem, Jesus lhes deu a maior de todas as "posses":

Deles, é o Reino dos céus. (Mateus 5.3.)


Gito
Continue Reading

terça-feira, 22 de abril de 2014

Fabricando esperanças



Amigos,

Todos sabem que desde 2010 estamos na África resgatando "crianças-moeda". Construímos dois Abrigos.

Filhotinhos. Trocamos nossas vidas pelas deles, numa atitude (eu sei) pouco compreensível hoje em dia, já que há prejuízos pessoais e perigos incontáveis. Mas ninguém NUNCA nos viu reclamar! É escolha do coração. Surto programado.

A cada Missão aperfeiçoamos estruturas e cada um volta para sua vida familiar e profissional. Depois, essas estruturas vão perdendo funcionalidade, porque a coisa cresce, e a equipe nativa se esgota na lida com o tranco todo, com os inimigos, com as necessárias reciclagens.

Agora é hora de voltar em EQUIPE. Convocamos a Expedição "Fabricando Esperanças" para o meio do ano. Tem foco, objetivos claros. Mas também há a necessidade de voltar a abraçar, beijar e brincar com cada pequenino, outrora abusado. Eles são apaixonantes! A lembrança e a saudade nos faz andar por todo lado fazendo parceiros para dar o melhor para elas.

Sabe esse sentimento que te sair cedo para prover seus filhos? Pois então, é o mesmo!!! Estamos nos virando para tirar férias, licenças profissionais sem vencimentos, fazendo empréstimos e vendendo milhas, para embarcar em detrimento da família, do descanso, do trabalho, do sustento! Por isso, quando a Associação pôde, bancou as passagens - parte mais cara do processo que envolve muitos conexões aéreas. É muito dinheiro.

Agora não podemos ajudar nossa própria equipe a ir. Com os novos prédios-abrigo os recursos não sobram. Todo mês a gente já começa precisando levantar 60 mil reais; e corremos atrás (...) Desse modo, uma forma de se juntar a nós é nos ajudar a voltar! As crianças tem saudades desse grupo, choram por essas pessoas, sabem-se amadas por elas, e vivem a promessa que lhes foi feita aos ouvidos: "We will be back for you!" Eles creram em nós, mesmo depois da vida lhes ter mentido tanto.

Somos em 12. Alguns de nós tem condições de se bancar, mas outros não, de jeito nenhum. As milhas que temos também não servem para a quantidade de trechos internos feitos por empresas aéreas sem parceria internacional alguma.

Peço de coração, aos que confiam em nossa intenção diante de DEUS, que nos ajude a representar VOCÊ no cuidado com elas. Para que sua contribuição se some para essa finalidade específica precisa ser feita por http://www.lojadocaminho.com/

UNS VÃO, OUTROS ENVIAM!

Quem não puder ajudar, fique em paz! Mas, por favor, divulgue. Mande junto com o banner acima, esse texto.

Marcelo Quintela
Voluntário

Continue Reading

sexta-feira, 28 de março de 2014

O mundo de pernas pro ar



A moça é estuprada e leva a culpa. Usa roupas provocantes.

Na pesquisa a maior parte das mulheres concordam que a culpa é da roupa.

O ladrão de tomate na feirinha é condenado à morte.

O do mensalão é libertado, via vaquinha.

A vaquinha para ajudar no tratamento das crianças com câncer não sai do zero.

E só dizem mensalão no singular. É no plural. Já que foram tantos!

Se fosse fazer uma limpa na política, sobraria uns 10. Sem exagero...

Mas qual político está limpo para fazer uma limpa?

Amarram o ladrão pretinho no poste!

Encocham a bunda da moça no metrô.

Reclamam que o idoso não morre logo.

Que o aeroporto parece rodoviária.

Que a empregada já não dorme em casa.

Que o índio vive brigando por floresta.

A polícia, agentes da proteção, vigiam e punem. 

Precisamos rogar aos céus a proteção contra os agentes de proteção.

O cacetete canta no lombo do trabalhador que está na hora certa no lugar errado.

Metade do Brasil é feito de "Lugar errado."

Vigiam pouco e punem muito!

Dizem "denegrir", "judiar", e batizam bairros de "Higienópolis." Polis = Cidade. Cidade da higiene. Cidade higiênica. Bairro projetado e batizado para ser limpo da corja dos pobres sujos.

Nomeiam viadutos com nomes de torturadores. De estupradores. De impostores. 

Celebram as datas do terror! Fazem feriados que comemoram o início de guerras.

Organizam marchas em nome de Deus. Para Deus. Mas nunca O convidam!

A Copa vem aí. 

Há 3 anos era festa.

Mas desde as manifestações que a gente não vê muita graça...

Até a bola rolar.

Lançamos a palavra numa rede social da virtualidade.

No chão da vida a gente só lança a lança que fere e mata.

Ou diz que não. Mas não faz nada para evitar que lancem.

Omissos, invertemos as bolas...

Damos valor ao post. 

Uma curtida equivale a um sorriso.

Uma compartilhada equivale a um abraço.

Curtida e compartilhada é como um beijo de língua.

Os vestibulares escolhem as melhores cabeças.

Que mostram para o que vieram na hora dos trotes com tortura, humilhação, racismo e agressões.

Os teólogos citam frases de livros mas não os lêem por não ser sacro.

Lêem o Livro Sagrado que de tão sacralizado já não gera Vida na vida.

Respondem as aflições do outro com frases prontas e versículos.

A moda é ser reaça!

A moda é ser coxinha!

A moda é ser militante de uma causa qualquer.

Meninos de 15 anos pedem a volta da ditadura. Com bigodinho sob o nariz.

"Salvem os golfinhos!" Diz o adesivo pregado no carro do rapaz que atropela um casal na calçada por dirigir embriagado depois da manifestação.

Já não há nomes, mas "nicks".


Não há alguém, mas "perfis".


Não há fotos, mas "avatar".


Não há endereço, só o eletrônico.


Não há dinheiro, só de crédito.

Já não há chuva, mas chuva ácida.

Já não há sociedades, mas sociedades anônimas.

Empresas em lugar de nações.

Aglomerações em lugar de cidades.

Já não há pessoas, mas públicos.

Não há realidades, mas publicidades.

Não há visão, mas sobra televisão.

Para elogiar uma flor, se diz: Parece de plástico.¹

O templo virou pedra.

Pessoas viraram consumidores.

Oferta virou lei.

Tentam transformar Deus em banqueiro.

Há cada vez mais carros que se cruzam do que pessoas que se encontram.

Os States invadem um país para procurar bombas que eles forneceram anos antes.

Matam populações inteiras com a desculpa de procurar armas de destruição em massa.

Na África, acorrentam jovens nos pilares da igreja para que ele receba a libertação.

Matam crianças que acusam de serem bruxas.

Cobram caro para dar o que é de graça.

Reúnem milhares para enganar a todos de uma vez só.

Chamam a isso de avivamento.

Jogam latinha na rua para reclamar do governo na hora das enchentes.

Lutam contra a corrupção mas não assumem o gol irregular do atacante do seu time do coração...

E cortam filas...

E mentem...

E ficam com o troco a mais que por engano a atendente da padaria entregou.

E agradecem a Deus de todo o coração por essa bênção merecida.

Afinal de contas, não é mole arranjar um trocado.


E o mundo é dos espertos.

Olhe a sua volta, saia às ruas e veja.

Há um fenômeno, desde sempre... mas parece que se agravou por estes dias:

O mundo está ao contrário.

Será que alguém reparou?


Gito



1 - Eduardo Galeano. Patas arriba. La escuela del mundo al revés. Siglo Veintiuno Editores, 2012.
Continue Reading
 

Não temas, pequenino!

A Doce-Revolução

Está insuportável

Gito Copyright © 2009 Customized by @gitoxx