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"Que loucura fazem esses negros, fugindo da África e quando não morrem afogados na travessia, vão invadindo a Europa toda!"

Esse foi um comentário que surgiu enquanto esperávamos a fornada de pão que iria sair e passava na TV da padaria, uma reportagem sobre o naufrágio que vitimou cerca de 800 imigrantes africanos que tentavam fugir para a Itália.

A verdade é que não foram os africanos que invadiram nada. Estavam de boa quando os navios europeus foram chegando no século XV. Primeiro os portugueses e depois a moçada dos Países Baixos, Dinamarca, Grã-Bretanha, França... e por intermédio de companhias autorizadas, montaram um comércio que se baseava essencialmente no tráfego de escravos. Do século VII ao XX, cerca de 14 milhões de escravos foram levados para o mundo árabe pelo Saara e pelos portos da costa oriental. A eles se devem somar os que, do século XV ao XIX, foram para a América: de 15 a 20 milhões, mais os que morreram durante a viagem. 

Não bastasse o comércio de gente, de humanos, para a escravidão, os
"invasores" fincaram o pé lá e não saíram até que de lá pouco restasse para que pudesse ser tomado. A partir de 1805, a França tentou lentamente extrair recursos do Senegal, que ocupou em 1658. A Grã-Bretanha se instalou na Costa do Ouro a partir de 1875 e na Nigéria desde 1880, ano em que a França desencadeou a "corrida do ouro", com a Marcha do Níger. A Conferência de Berlim (novembro de 1884-fevereiro de 1885) não decidiu a partilha da África, mas acelerou a instalação territorial das potências europeias e a constituição de grandes impérios coloniais: inglês, holandês, italiano, belga e alemão, junto aos restos do império espanhol e português. Até à Segunda Guerra Mundial, a África subsaariana evoluiu em ritmos diversos, em função do meio e dos recursos, da precariedade das vias de comunicação, da densidade das populações e da urbanização. Por toda parte a massa camponesa (90% da população) sofreu com o domínio colonial. Entretanto a urbanização, acentuada após a Segunda Guerra Mundial, e a formação de elites letradas desenvolveram a consciência da identidade africana.

Levavam escravos os melhores homens e mulheres, os líderes do povo e seus conselheiros, e depois de lhes roubar a liberdade, identidade, família, as tradições, o povo e os levar cativos para uma terra distante, lhes tiravam preciosidades, especialmente a terra e seus recursos naturais e então dividiram a terra em países de acordo com o que consideraram ser o melhor para os "padrinhos" europeus, separando povos, famílias e juntando tribos com diferenças milenares, sabendo ser impossível a convivência pacífica.
O que sobrou, em muitos lugares da África, foi o caos. Tentativas de governos, golpes, guerras, genocídios, miséria, doenças...

Há tempos que se tenta matar a África de alguma coisa.
Com guerras.
Com a fome.
Com a AIDS.
Violência.
Com o abandono, fechando-lhes as fronteiras e condenando-os ao isolamento com o Ebola.
E agora morrem afogados, de frio e fome nas travessias, os que tentam fugir do caos em direção ao lar dos que lhes visitaram há anos atrás e lhes deixaram o legado que hoje possuem.
E do lado de cá, manifestantes levantam suas placas racistas “Go Back To Africa!” sem se lembrar da história e da parcela de culpa que os países que hoje são invadidos têm quando eram eles os invasores e o mercado era outro: escravo, ouro, minérios.

Sou bisneto de imigrantes europeus. Alemães, italianos. Casados com franceses, portugueses, numa terra nova, chamada Brasil.
Meus antepassados vieram para substituir a mão de obra escrava no interior de São Paulo, na fazenda de Ibicaba, distrito de Limeira, hoje Cordeirópolis, que era de propriedade do Senador Vergueiro e que os convidava para a “substituição” através de agentes na Europa que faziam uma propaganda das belezas do Brasil, da facilidade de vida e da possibilidade de um pedaço de terra depois de alguns anos de trabalho na lavoura, fascinando assim os imigrantes alemães e suíços que passavam grande dificuldade e fome devido à Crise da Batata e a difícil adaptação à urbanização causada pela Revolução Industrial.
Vendiam o que tinham e iam com o que conseguiam para o porto de Hamburgo, de onde embarcavam maltrapilhos para uma terra completamente nova, trabalhando em condições deploráveis, como “escravos brancos”, assim como foi denunciado por Thomas Davatz no livro “Memórias de um colono” de 1850. Os italianos vieram para, de certa forma, substituir os alemães e suíços depois da denúncia de Davatz e o bloqueio desses países à vinda de imigrantes para o país.

Os europeus já fugiram do caos, da fome e da miséria em direção à Nova América. Hoje são os africanos que fogem em direção à Europa. Num sistema de caos instalado e de opressão sem fim, não há possibilidade de não considerar uma nova vida em um novo lugar. E o mundo precisa estar preparado para isso, será assim cada vez mais, pois temos construído no mundo, especialmente na África, Ásia e Oriente Médio, ao longo dos anos, um habitat insuportável de opressão, violência e desprezo.


Gito.

Habitat Insuportável



"Que loucura fazem esses negros, fugindo da África e quando não morrem afogados na travessia, vão invadindo a Europa toda!"

Esse foi um comentário que surgiu enquanto esperávamos a fornada de pão que iria sair e passava na TV da padaria, uma reportagem sobre o naufrágio que vitimou cerca de 800 imigrantes africanos que tentavam fugir para a Itália.

A verdade é que não foram os africanos que invadiram nada. Estavam de boa quando os navios europeus foram chegando no século XV. Primeiro os portugueses e depois a moçada dos Países Baixos, Dinamarca, Grã-Bretanha, França... e por intermédio de companhias autorizadas, montaram um comércio que se baseava essencialmente no tráfego de escravos. Do século VII ao XX, cerca de 14 milhões de escravos foram levados para o mundo árabe pelo Saara e pelos portos da costa oriental. A eles se devem somar os que, do século XV ao XIX, foram para a América: de 15 a 20 milhões, mais os que morreram durante a viagem. 

Não bastasse o comércio de gente, de humanos, para a escravidão, os
"invasores" fincaram o pé lá e não saíram até que de lá pouco restasse para que pudesse ser tomado. A partir de 1805, a França tentou lentamente extrair recursos do Senegal, que ocupou em 1658. A Grã-Bretanha se instalou na Costa do Ouro a partir de 1875 e na Nigéria desde 1880, ano em que a França desencadeou a "corrida do ouro", com a Marcha do Níger. A Conferência de Berlim (novembro de 1884-fevereiro de 1885) não decidiu a partilha da África, mas acelerou a instalação territorial das potências europeias e a constituição de grandes impérios coloniais: inglês, holandês, italiano, belga e alemão, junto aos restos do império espanhol e português. Até à Segunda Guerra Mundial, a África subsaariana evoluiu em ritmos diversos, em função do meio e dos recursos, da precariedade das vias de comunicação, da densidade das populações e da urbanização. Por toda parte a massa camponesa (90% da população) sofreu com o domínio colonial. Entretanto a urbanização, acentuada após a Segunda Guerra Mundial, e a formação de elites letradas desenvolveram a consciência da identidade africana.

Levavam escravos os melhores homens e mulheres, os líderes do povo e seus conselheiros, e depois de lhes roubar a liberdade, identidade, família, as tradições, o povo e os levar cativos para uma terra distante, lhes tiravam preciosidades, especialmente a terra e seus recursos naturais e então dividiram a terra em países de acordo com o que consideraram ser o melhor para os "padrinhos" europeus, separando povos, famílias e juntando tribos com diferenças milenares, sabendo ser impossível a convivência pacífica.
O que sobrou, em muitos lugares da África, foi o caos. Tentativas de governos, golpes, guerras, genocídios, miséria, doenças...

Há tempos que se tenta matar a África de alguma coisa.
Com guerras.
Com a fome.
Com a AIDS.
Violência.
Com o abandono, fechando-lhes as fronteiras e condenando-os ao isolamento com o Ebola.
E agora morrem afogados, de frio e fome nas travessias, os que tentam fugir do caos em direção ao lar dos que lhes visitaram há anos atrás e lhes deixaram o legado que hoje possuem.
E do lado de cá, manifestantes levantam suas placas racistas “Go Back To Africa!” sem se lembrar da história e da parcela de culpa que os países que hoje são invadidos têm quando eram eles os invasores e o mercado era outro: escravo, ouro, minérios.

Sou bisneto de imigrantes europeus. Alemães, italianos. Casados com franceses, portugueses, numa terra nova, chamada Brasil.
Meus antepassados vieram para substituir a mão de obra escrava no interior de São Paulo, na fazenda de Ibicaba, distrito de Limeira, hoje Cordeirópolis, que era de propriedade do Senador Vergueiro e que os convidava para a “substituição” através de agentes na Europa que faziam uma propaganda das belezas do Brasil, da facilidade de vida e da possibilidade de um pedaço de terra depois de alguns anos de trabalho na lavoura, fascinando assim os imigrantes alemães e suíços que passavam grande dificuldade e fome devido à Crise da Batata e a difícil adaptação à urbanização causada pela Revolução Industrial.
Vendiam o que tinham e iam com o que conseguiam para o porto de Hamburgo, de onde embarcavam maltrapilhos para uma terra completamente nova, trabalhando em condições deploráveis, como “escravos brancos”, assim como foi denunciado por Thomas Davatz no livro “Memórias de um colono” de 1850. Os italianos vieram para, de certa forma, substituir os alemães e suíços depois da denúncia de Davatz e o bloqueio desses países à vinda de imigrantes para o país.

Os europeus já fugiram do caos, da fome e da miséria em direção à Nova América. Hoje são os africanos que fogem em direção à Europa. Num sistema de caos instalado e de opressão sem fim, não há possibilidade de não considerar uma nova vida em um novo lugar. E o mundo precisa estar preparado para isso, será assim cada vez mais, pois temos construído no mundo, especialmente na África, Ásia e Oriente Médio, ao longo dos anos, um habitat insuportável de opressão, violência e desprezo.


Gito.



Os fundamentalistas religiosos que ateiam fogo em pessoas enjauladas, decapitam diferentes e matam com martelo e talhadeira o jovem-bruxo, o fazem, na maioria das vezes, motivados pela lógica de vingança ao profeta, ao deus ofendido.

Esse deus, sendo soberano, não se vingaria por conta própria? Não teria poder para isso? Não poderia, num suspiro, exterminá-los todos?

Porque os que vingam fazem em nome dele? 

Por acreditar que ele está demorando muito para vingar?

Para prestar um favor a um ser muito ocupado?

Por que ele escolheu seus vingadores para o trabalho?

E a condenação eterna a esses que se portam tão equivocadamente, não bastaria? Olhe bem... é condenação eterna, tortura, sofrimento e tudo o mais.

Meter uma bala na cabeça de um cara que vai sofrer eternamente é dar a ele o desprazer de já iniciar sua eternidade agonizante?

E que deus é esse tão chatinho, que vive ofendido querendo matar quem não concorda, não consegue, não se adapta, não usa calças compridas ou se tatua todo?

Definitivamente, esse deus precisa de terapia.

Os fundamentalistas religiosos se fundamentam, não nos livros sagrados, mas em seus preconceitos raciais, dificuldades com o diferente, fanatismo exacerbado para sacar a pistola, encher o corpo de bombas, acender fogueiras e proibir leituras à base da pancada.

Enlouquecidos de razão, tornam-se os vingadores de um deus inventado, quando inculcando-se sábios, tornam-se débeis.

Confesso, ainda que para espanto de muitos, que o Deus que creio (Creio!) por meio da fé (e não da Lógica Sistematizada) não tem nada a ver com essa história, ainda que seja em nome Dele, que tenho visto muitos causarem o mais terrível mal contra seu semelhante.

O Deus que eu creio manda amar o inimigo.

Um Ser que pede perdão por aqueles que o assassinam.

Que enfrenta com a verdade os religiosos dissimulados.

Recebe a mulher rejeitada pela sociedade.

Toca os intocáveis leprosos impuros.

E diz que as crianças são os seres mais importantes do Seu Reinado.

Ele nasceu em Nazaré.

E foi moído na cruz do monte das Caveiras na saída leste de Jerusalém.

E as ofensas a Ele foram vingadas Nele, naquela Cruz.

Deus se vingou da maldade dos homens contra Deus no seu próprio Ser por amor aos homens.

Por disso, toda vingança em nome Dele, é loucura e descrença, pois só a comete, quem de fato, embruteceu-se de fanatismo e usa a desculpa de um "deus" para as suas ações de terror.

Não pode, de fato crer em um Deus, quem em nome de Deus mata.


Gito.

A ESTRANHA VINGANÇA DE DEUS POR MÃOS HUMANAS



Os fundamentalistas religiosos que ateiam fogo em pessoas enjauladas, decapitam diferentes e matam com martelo e talhadeira o jovem-bruxo, o fazem, na maioria das vezes, motivados pela lógica de vingança ao profeta, ao deus ofendido.

Esse deus, sendo soberano, não se vingaria por conta própria? Não teria poder para isso? Não poderia, num suspiro, exterminá-los todos?

Porque os que vingam fazem em nome dele? 

Por acreditar que ele está demorando muito para vingar?

Para prestar um favor a um ser muito ocupado?

Por que ele escolheu seus vingadores para o trabalho?

E a condenação eterna a esses que se portam tão equivocadamente, não bastaria? Olhe bem... é condenação eterna, tortura, sofrimento e tudo o mais.

Meter uma bala na cabeça de um cara que vai sofrer eternamente é dar a ele o desprazer de já iniciar sua eternidade agonizante?

E que deus é esse tão chatinho, que vive ofendido querendo matar quem não concorda, não consegue, não se adapta, não usa calças compridas ou se tatua todo?

Definitivamente, esse deus precisa de terapia.

Os fundamentalistas religiosos se fundamentam, não nos livros sagrados, mas em seus preconceitos raciais, dificuldades com o diferente, fanatismo exacerbado para sacar a pistola, encher o corpo de bombas, acender fogueiras e proibir leituras à base da pancada.

Enlouquecidos de razão, tornam-se os vingadores de um deus inventado, quando inculcando-se sábios, tornam-se débeis.

Confesso, ainda que para espanto de muitos, que o Deus que creio (Creio!) por meio da fé (e não da Lógica Sistematizada) não tem nada a ver com essa história, ainda que seja em nome Dele, que tenho visto muitos causarem o mais terrível mal contra seu semelhante.

O Deus que eu creio manda amar o inimigo.

Um Ser que pede perdão por aqueles que o assassinam.

Que enfrenta com a verdade os religiosos dissimulados.

Recebe a mulher rejeitada pela sociedade.

Toca os intocáveis leprosos impuros.

E diz que as crianças são os seres mais importantes do Seu Reinado.

Ele nasceu em Nazaré.

E foi moído na cruz do monte das Caveiras na saída leste de Jerusalém.

E as ofensas a Ele foram vingadas Nele, naquela Cruz.

Deus se vingou da maldade dos homens contra Deus no seu próprio Ser por amor aos homens.

Por disso, toda vingança em nome Dele, é loucura e descrença, pois só a comete, quem de fato, embruteceu-se de fanatismo e usa a desculpa de um "deus" para as suas ações de terror.

Não pode, de fato crer em um Deus, quem em nome de Deus mata.


Gito.

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